sábado, 4 de julho de 2009

Pequenos Passeios no Início de 2009

Bem, já era hora de retomar nosso diário...Hummm...até passou da hora mas o começo de 2009 não foi lá essas coisas para a tripulação do Milene I!!!

Apesar dos "enroscos", conseguimos ao menos realizar alguns pequenos passeios que fomos registrando e juntando aos poucos pra compartilhar aqui neste espaço.

Nesse período aprendemos mais um pouquinho sobre o tempo e também sobre o mar e seus humores, vimos duas ressacas, chuvas torrenciais, ventanias assustadoras e até o naufrágio de um barco pesqueiro, de nome "Mareante", recuperado logo em seguida através de um sistema de boias infláveis!!!

Na verdade, para este casal interiorano, há muito, mas muito mesmo o que aprender por aqui!!!

Aprendemos a fazer mergulho de superfície...


Encontramos águas bastante límpidas para a prática do "snorkel" e começamos a identificar a flora e a fauna marinha desta região...é tudo muito lindo e emocionante!!!

A quantidade de peixes, cardumes de várias espécies, corais e algas, estrêlas do mar, tudo alí, ao vivo e em côres!!!

A maior emoção foi poder nadar junto com uma tartaruga marinha, da espécie "tartaruga de pente", enorme e serena, que acabamos encontrando nas águas límpidas da praia do Cedro...uma imagem inesquecível...pena que não tínhamos câmera submarina pra registrar!!!

Nesse período aportou por aqui o navio Island Scape, muito bonito e que trazia os passageiros para terra através de um barco (Tender), deixando-os no pier do Tamoios Iate Clube...

Como sempre, registramos esses momentos em um pequeno vídeo, que colocamos abaixo:

Um abração a todos!!!!

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Evgeny Alexandrovich Gvozdev

Nossa homenagem ao Navegador Russo Evgeny Alexandrovich Gvozdev, que deixou o plano terreno há alguns dias, neste janeiro de 2009.
Sua falta será sentida neste mundo de poucos valores, poucos heróis e poucos ídolos do bem!!



Um pouco de sua história e passagem aqui pelo Brasil no texto do Comodoro Magalhães Netto, a seu lado, na foto abaixo:



...os dois velhos juntos: um deles já realizou o que tinha que realizar, o outro ainda atrás do sonho --- afinal, a esperança deve sempre ser a última que morre...

Magalhães Netto


NO PROBLEM...


Era a tarde de Sexta-Feira Santa, e naturalmente um grande número de embarcações evoluía na Enseada de Ubatuba, mas uma pequena vela no horizonte chamou nossa atenção. Parecia um barco de dimensões muito reduzidas, não era comum estar tão longe. Quando, já no fim do dia, a embarcação finalmente venceu o forte vento Sul quase de proa, e fez um último bordo para entrar na pequena bacia do Tamoios Iate Clube, uma figura diferente, movendo-se ágil em cima de uma casca de noz flutuante, acostou o trapiche com o profissionalismo dos velhos homens do mar.


Evgeny Gvozdev, engenheiro naval russo aposentado, deixara o Mar Cáspio havia onze meses, passando pelo Volga ao Mar Negro, depois o Mediterrâneo, Ilhas Canárias e daí um pulo de noventa dias até o Rio de Janeiro. Rumava o Sul, até Buenos Aires, onde pretendia decidir se chegava ao Pacífico pelo Estreito de Magalhães ou ia à Austrália pelo Cabo da Boa Esperança e Oceano Indico, para depois continuar dali sua solitária tentativa de circunavegação.

Não era sua primeira viagem. Em tempos passados, depois de quinze anos tentando obter junto ao governo comunista licença para ausentar-se do país, incomodou tanto que puseram fogo em seu primeiro barco, o GETAN, sete metros e meio de comprimento, com o qual cruzara o Mar Cáspio quarenta e oito vezes à espera da tal licença. O indomável navegador não desanimou, e acabou fazendo um trato com uma indústria russa que fabricava um pequeno veleiro de bolina com 5,5 metros de comprimento, algo como os monotipos semi-abertos que temos aqui. Os ventos brandos da Perestroica já relaxavam a dureza do antigo regime, e possibilitaram que ele finalmente partisse no frágil barquinho, batizado LENA, com apenas cem dólares no bolso.

Por quatro anos, de 92 a 96, velejou por mares distantes. Foi roubado no pouco dinheiro e levaram todo seu alimento, perdeu 32 quilos por fome, mas foi o primeiro homem a fazer a volta ao mundo em veleiro de bolina e em solitário. Continua a acreditar no ser humano : “Passei por muitas dezenas de países, só fui roubado em três. E conheci muita, mas muita gente boa“. O LENA descansa atualmente em um museu de Moscou. Foi o único reconhecimento e ajuda que as autoridades russas prestaram ao navegador.

Agora, em sua nova empreitada, o velho navegante está no SAID (Vitória), um rústico botinho de apenas 3,70 metros (ou sejam doze pés) , 110 kg de chumbo na quilha rasa, armado em eslupe e construído por ele mesmo com sobras descartadas. Local da construção : a apertada sacada do seu apartamento, em um velho sobrado em MakhachKala, porto comercial e pesqueiro do Cáspio, onde, nos intervalos de suas andanças marítimas, reside com a mulher, três filhos e quatro netos.

Na minúscula cabine consegue acomodar até duzentos e cinqüenta litros de água e os alimentos regradamente suficientes para agüentar as travessias maiores. Quase que não lhe sobra, em seu interior, espaço para descansar o corpo. Mas vai em frente, sempre com dificuldades de dinheiro, de comida, de equipamentos. Mas, se alguém lhe faz as perguntas costumeiras, perguntas às vezes tolas, a resposta vem direta, em seu inglês limitado e de pronúncia carregada :

“ I have not a big boat. Big boat, big problems. It is a small boat. Enough water, water is free. Few food, few equipment. No motor, no eletricity, no radio, no GPS, no woman, no sex. But no problem ! “

E esse “no problem” foi a tônica de suas conversas nos dias que se seguiram. Tudo para ele estava bom, tudo era interessante. Mostramos-lhe a cidade, assistimos juntos a uma regata de veleiros oceânicos. Evgeny, ao contrário do temperamento reservado comumente atribuído ao marinheiro solitário, tem um gênio expansivo e não rejeita algumas tiradas de humor aqui e ali. Um pouco de inglês e outro tanto de espanhol bastam para comunicar sua muito respeitável experiência e ir fazendo amigos por onde passa. Sua conversa em pouco tempo nos transmite o que ele é, um intelectual sem firulas, simples, afável, companheiro.

O tempo correu rápido, mais rápido do que queríamos, e na quarta feira seguinte, com a chegada de um vento fraco de Leste, fomos, o amigo Jerzy Bojarczuk e eu, em outro pequeno veleiro acompanhá-lo algumas milhas para a despedida. Ia já caindo a noite quando o SAID montou a Ponta Grossa, saindo para o mar aberto.

Ao vê-lo embicar a proa para o Sul, lembrei um artigo que ele me passara, escrito para a conceituada revista SAIL pelo também grande navegador australiano Serge Testa, o primeiro a circunavegar em um veleiro de doze pés anos antes. Contando o encontro casual com Evgeny em sua viagem no LENA, na ilha de Cocos Keeling, no Índico, e a amizade então formada, Serge terminou o artigo descrevendo o que agora eu próprio sentia vendo a imagem do SAID lentamente esvaecendo no crepúsculo outonal :

“Quando deixamos a ilha juntamente com o Evgeny, o LENA buscava o Mar Vermelho e eu e minha mulher Robin, em meu veleiro de aço de 60 pés, estávamos seguindo um rumo mais ao Sul. À medida em que nossas rotas divergiam, o seu pequeno barco caindo no vão das ondas crescentes, nós acenamos para Evgeniy. Nesse momento, eu o invejei.“

Abaixo, entrevista concedida pelo navegador a seu amigo, Sr. João Kojin, também de descendência Russa, no porto de Santos:










Ao navegador Evgeny Alexandrovich Gvozdev , portanto, as nossas homenagens

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Remada até a Barra Seca

No dia 09.12.2008, fizemos nossa última navegada, indo até a Barra Seca, que fica na enseada do Perequê-Açu aqui em Ubatuba, confome mapa ao lado (clique para ampliar).

Foi uma remada de 10,5 km ( 5,67 milhas náuticas) num mar bem calmo na ida e bem agitado na volta. Não medimos o tempo da navegada, pois fomos observando tudo o que podíamos no caminho de ida e na volta também.

Passamos pelos barcos que ficam ancorados na enseada, belos veleiros e lanchas que alí permanecem aguardando a presença de seus donos.

Na chegada a Barra Seca, a surpresa de ver dezenas, senão centenas de patos tomando sol nas pedras e em bandos nas águas abrigadas da enseada, se deliciando com os peixinhos que vão pescando em mergulhos sucessivos.

Desta vez nos equipamos mais um pouco, levando nos dois compartimentos estanques do kayak muita água, refrigerantes, lanches, guarda-sol, snorkel's, entre outros apetrechos (incluindo vara de pescar...mas nem perguntem da pesca!!!) para passarmos o dia no local. Que delícia!!!!!! Que dia maravilhoso!!!!!

Este foi um dos poucos dias de sol que tivemos por aqui nos últimos meses, um dia realmente muito bonito, porém com bastante vento na parte da tarde, o que causou agitação no mar e consequentemente a necessidade de mais esforço nas remadas durante nosso retorno.

Mas mais uma vez, valeu a pena ver nosso Milene I superando as dificuldades do dia e nos levando em segurança até o Iate Clube!

Na chegada mais uma supresa! Um pinguim perdido, nadando bem em frente ao Clube!

Acionamos o pessoal do Aquário de Ubatuba, que os recolhem e enviam ao sul do país, depois de recuperá-los na alimentação e tratar suas feridas.

Filmamos e tiramos foto do bichinho mas não saíram boas (clique para ampliar)...dá pra ver somente de longe a estimada presença do visitante...mas a foto está aí (fizemos um círculo sobre ele).

A frustração veio logo em seguida. Os especialistas do Aquário, embora tenham se preocupado e ligado várias vezes para saber onde e como o pinguim estava, nos disseram não poder fazer nada por ele dentro da água, pois é muito difícil pegá-lo. Só poderiam dar jeito, se ele estivesse já fora da água!

Ficamos muito preocupados dele se enroscar em alguma rede de pesca e por isso voltamos com o Kayak para a água à sua procura, mas nada mais encontramos. Já deveria estar muito longe!

Esperamos que ele esteja bem...ao menos gordinho e ágil deu para ver que ele estava...nadava bem rápido na nossa frente.

Nossa remada deste dia foi registrada em mais um vídeo que vai abaixo. Este vídeo também é o nosso "Cartão de Feliz Ano Novo", a todos aqueles que nos acompanham atravéz deste "Diário de Bordo". O fundo musical foi especialmente escolhido, com muito carinho mesmo, para esse fim:

Um grande abraço a todos e até a próxima!!!

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Navegada até a praia do Matarazzo e Perequê-Açu

O mapa ao lado mostra o trajeto do passeio (clique para ampliar) que realizamos em 01.12.2008, no qual passamos por duas praias da nossa Ubatuba. Primeiro a praia do Matarazzo, também conhecida como "praia do Padre" e depois a praia Perequê-Açu de onde retornamos ao Iate Clube Tamoios, nosso ponto de partida, após um bom descanso e uma boa água de côco!

Nesse passeio, esperimentamos um mar bastante grosso e várias ondas quebravam bem distantes da costeira e sobre nós, porém, nosso Milene I se comportou de modo muito estável, deixando-nos bastante seguros durante o percurso.

Na saída do Perequê-Açu em retorno ao Iate Clube Tamoios, sentimos pela primeira vez a falta das saias dos cockpits. Como as ondas da arrebentação estavam muito altas, algumas delas estouravam sobre nós ou sobre o kayak, causando pequena inundação nos dois cockpits, nada preocupante, mas desconfortável. Estamos providenciando esse equipamento!

Registramos nossa passagem pelas praias no vídeo abaixo:



Nesse dia, navegamos 4,59 milhas náuticas ou 8,5 km em 1:20 hs, ou seja 6,54 Km/h.

Considerando o estado do mar e também os ventos muito fortes no retorno ao Clube, entendemos que está muito bom.

Comemoramos muito essa navegada, pois com toda a segurança, aumentamos bastante a distância de navegação, melhorando nossa performance e também por termos testado o Milene I em mar com condições de navegabilidade mais difícil.

Foi um dia maravilhoso para nós...e logo tem mais!!!!

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Navegada até a Praia do Cedro

É...às vezes subestimamos nossa capacidade e aí podemos surpreender a nós mesmos!
Foi assim que, despretenciosamente, eu e Milene saímos no dia 10.11.2008, para dar mais uma treinadinha com os remos, melhorar o preparo físico e aproveitar as paisagens que estão, gratuitamente a nossa inteira disposição.
Quando percebemos, já havíamos navegado bem mais que o de costume e estavamos já avistando a praia do Cedro, uma das mais famosas da nossa região.
Foi impossível resistir e resolvemos alí mesmo ir até ela, fazendo o percurso da foto ao lado (clique para ampliar).
Navegamos 4,64 milhas nauticas, o equivalente a 8,6 Km, ida e volta. Quarenta minutos para ir e mais quarenta para voltar, velocidade de 3,48 nós, ou 6,45 Km/hora, que para iniciantes como nós está muito bom...nem esperávamos isso!
Que lugar lindo! Vão até lá, principalmente, pessoas com o intuito de mergulhar naquelas águas claras e calmas.
Como sempre, registramos em vídeo nosso passeio:

Imaginem toda essa mata, rochas, águas límpidas de beleza sem igual, tão pertinho e ao mesmo tempo tão distante, de acesso tão difícil! Por isso há apenas um quiosque e tão poucas pessoas.
O prazer de conhecer um paraíso como esse, levados que fomos pelo trabalho de nossas próprias mãos é realmente indescritível, são imagens, sons e sensações que vão nos acompanhar pelo resto de nossas vidas!
Bem, por enquanto é só...com chuva, muita chuva por aqui mas com a esperança de logo encontrarmos outros paraísos...

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Aumentando o Percurso

Como temos tido pouca chance de remar ultimamente, resolvemos insistir, por enquanto, no mesmo percurso, aumentando-o gradativamente conforme sentirmos segurança no nosso preparo físico, no nosso conhecimento das situações adversas do mar e no próprio comportamento kayak.
Dia 06.11.2008, realizamos outro passeio, no mesmo trecho de mar onde navegamos pela última vez, apenas aumentando o percurso em aproximadamente 400 metros, conforme foto acima (Clique para ampliar):
Nesse passeio, fizemos várias paradas bem próximo da terra, em locais onde sabemos ser comum as tartarugas marinhas. Nossa esperança é de filmá-las, mas arredias como são, não nos deram nenhuma chance!
No total, percorremos algo em torno de 3 milhas náuticas (5,6 KM) em 1h:30min.
Embora os dias por aqui andem um tanto quanto nublados, fizemos algumas imagens dessa navegada, que foi uma delícia!
Para nossa querida Eliane: Veja o filme que agora sim tem a ver com o John Lennon!
Vamos a essas imagens:



sábado, 4 de outubro de 2008

O Resgate do Paturi

Para os amigos que estavam aguardando, abaixo vão as imagens do resgate do veleiro Paturi, acidentado aqui na enseada de Ubatuba, conforme havíamos prometido.


Ao Rubem:
A música de fundo escolhemos especialmente para você!
Esperamos ver o Paturi navegando em breve!
Dos amigos Francisco e Milene



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